Espaços Verdes

Parque de Monsanto no top 5 dos preferidos pelos lisboetas

O "Pulmão Verde" da cidade é um dos espaços verdes mais visitados pelos Lisboetas. Apesar de certificado internacionalmente a pressão urbana é sempre uma ameaça que paira no horizonte.

Mariza Gonçalves

21/09/2018

O Parque Florestal de Monsanto (PFM), que representa quase um terço do território da nossa freguesia, é considerado pelos lisboetas um dos espaços verdes mais bonitos da cidade. O PFM fica fora de portas, mas concorre com outros jardins urbanos situados no centro da capital, com o jardim da Fundação Gulbenkian, do Campo Grande, da Estrela e do Parque Eduardo VII. 

A conclusão retira-se de um inquérito realizado pelo Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (cE3c), da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, em colaboração com a Câmara de Lisboa no âmbito do projecto europeu Green Surge e do Plano de Acção Local para a Biodiversidade 2020. O inquérito serviu para identificar as zonas da cidade com maior cobertura verde, assim como conhecer os espaços mais frequentados da cidade. No total foram abrangidos 2091 inquiridos, dos
quais 51% são mulheres.


Os últimos são os primeiros

O quinto lugar ocupado pelo “pulmão da cidade” não é de estranhar, dado que Monsanto é um caso único. Trata-se de um dos maiores parques florestais da Europa e está tão entranhado com a cidade que muitos têm tendência para o considerar um parque urbano. Segundo os lisboetas, o PFM peca por “ficar fora de mão”.

Os inquiridos pelo estudo referem que a proximidade é determinante na escolha dos seus espaços verdes preferidos. Logo depois surgem a tranquilidade e o contacto com a Natureza; a beleza e a biodiversidade; e, por fim, o possuírem parque infantil.

A nossa freguesia é a melhor posicionada quanto a grandes parques, jardins, miradouros, praças e cemitérios. Efectivamente, a área postal 1500 (Benfica e São Domingos de Benfica) apresenta 50% de cobertura verde. Esta circunstância determina o comportamento dos cidadãos. Ana Catarina Luz, bióloga e responsável pelo referido inquérito, afirma que “que os residentes não têm igual acesso aos espaços verdes, devido à distribuição desigual dos mesmos dentro da cidade”.

As “pessoas que vivem em áreas residenciais com mais área verde e com maior densidade verde, frequentam na sua maioria os espaços verdes da sua área, enquanto os que residem em zonas com pouca área verde, optam por sair da sua zona e muitas vezes visitar os jardins mais emblemáticos da cidade (Gulbenkian, Estrela, Campo Grande, Parque Eduardo VII ou Monsanto), sobrecarregando-os.

A bióloga sublinha que “não é só importante ter disponível área verde ou um elevado número de espaços verdes, mas também a qualidade dos mesmos e a variedade de usos e benefícios ecológicos e sociais que oferecem à população”.


Do sagrado ao lazer

O Parque Florestal de Monsanto localizado no extremo poente da cidade de Lisboa, é uma floresta artificial plantada na serra que lhe deu o nome. Ocupando cerca de
900 hectares, era conhecido como local sagrado, sendo habitado desde tempos pré-históricos.

Existem vários vestígios arqueológicos desta época, destacando-se as estações de Montes Claros e de Vila Pouca. A floresta original começou a desaparecer com o desenvolvimento urbano de Lisboa.  Monsanto era uma área de fraca vegetação, sendo uma zona de cultivo e de pasto. Os cereais eram uma parte importante das culturas, como se pode ver pela quantidade de moinhos que ainda resistem. O último moinho funcionou até 1925.

De acordo com o então Ministro da Agricultura, Tenente Coronel Linhares de Lima (8 de Julho de 1929 a 5 de Julho de 1932) a reflorestação destinava-se a “melhorar o clima da cidade, protegendo-a dos ventos e beneficiando-a com um parque monumental...». A partir de 1938, começa a nascer um pulmão verde atravessado pelo emblemático aqueduto das Águas Livres.

A maioria das árvores que hoje cobrem o parque começaram a ser plantadas com a ajuda da Mocidade Portuguesa e de reclusos. O arquitecto Keil do Amaral projectou o
parque. O restaurante Montes Claros (então Pavilhão de Chá) e o Clube de Ténis são algumas das suas obras mais reconhecíveis, mas a sinalética do parque – letras brancas sobre setas azuis – também é obra sua.


Manto verde atractivo

Sendo o maior manto verde da cidade, é uma floresta madura, com áreas ajardinadas e amplas vistas sobre a cidade e o Tejo que fazem deste parque um local muito atractivo do ponto de vista paisagístico. Keil do Amaral decidiu-se pela imagem de bosque selvagem interrompido apenas por alguns percursos essenciais, aproveitando-se das vistas e ambientes que a Serra de Monsanto oferecia.


Em 1940, chegou a ser projectado o Centro de Desportos, do qual apenas foi construído o seu miradouro, situado perto da actual Alameda Keil do Amaral que, em 2003, foi transformada numa zona de desportos radicais e de manutenção física. Esta zona tem cerca de 1300 metros de circuito livre de automóveis com uma área todo-o-terreno para BTT, rampas para skate e um ringue com obstáculos. Além disso, foi também construído um circuito de manutenção, um parque de merendas e um anfiteatro com uma vista magnífica sobre o Rio Tejo e a margem sul.


Actividades lúdico-pedagógicas

O Parque disponibiliza um programa de actividades lúdico-pedagógicas para o dar conhecer, valorizando a sua história e características bem como toda sua biodiversidade. Com a solicitação de diversas escolas que pretendiam programar actividades educativas no Parque, foi criado o Parque Ecológico de Monsanto, em 1993.


Este Parque Ecológico é composto por uma zona vedada com três lagos artificiais e uma ETAR. Existem também dois observatórios, locais aos quais são feitas visitas guiadas. Além disso, para apoiar o Parque Ecológico foi construído nesse mesmo ano um Centro de Interpretação que recebeu o nome de Espaço Monsanto.

Existe ainda o chamado Corredor Verde, cujo objectivo é o de ligar entre si vários espaços verdes do concelho, desde o Parque Eduardo VII até Monsanto. Por outro lado, existem diversas ciclovias, pontes e passagens de peões. Encontram-se também em recuperação e melhoramento o parque de estacionamento, e alguns equipamentos de apoio, tais como uma recepção em Campolide e cafetarias.


O Miradouro do Moinho do Penedo, Miradouro Keil do Amaral, Miradouro e Jardins de Montes Claros, Parque Recreativo do Alvito, Miradouro da Escarpa, Pedreiras, Moinhos de Santana, para além das paisagens naturais são alguns dos pontos de interesse do Parque Florestal de Monsanto.


Mais um hotel

Em Monsanto situa-se a residência oficial do Presidente da Câmara de Lisboa. António Costa foi o último a ocupá-la e Santana Lopes deu que falar quando construiu na residência um ginásio particular. Hoje a casa está desabitada e existe um projecto para a transformar num hotel. Na década de 50, o parque acolheu três corridas de Fórmula 1: em 1954, 57 e 59.

Uma das maiores ameaças ao Parque Florestal de Monsanto é a pressão urbana. Ao longo do tempo, a sua área diminuiu a favor de projectos urbanísticos de vária natureza.f

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