Praça Fonte Nova

Praça votada ao insucesso?

A maioria das pessoas estão desagradadas com as soluções que foram encontradas para as novas praças da freguesia. São desertos, sem sombras e não têm alma.

Mariza Gonçalves

16/09/2018

A Praça Fonte Nova, que recentemente ganhou um prémio internacional de arquitectura, continua a não reunir o consenso da população. “É pouco utilizada por diversas razões: tem pouco arvoredo, os bancos não são cómodos e, principalmente, o ruído originado pela Segunda Circular é bastante incomodativo”, afirmam-nos.

O nível sonoro é tão elevado que os moradores nunca podem abrir as janelas, “a não ser na noite da véspera de Natal”. Há muito que estão prometidas medidas para atenuar a poluição sonora, pela voz de Manuel Salgado, vereador da Câmara Municipal de Lisboa.

A montagem de barreiras acústicas transparentes, a redução da velocidade de circulação, o desvio do trânsito pesado e a alteração do tipo de piso, são algumas das medidas que têm sido referidas. “A solução tarda!”, afirmam os residentes revoltados com a inércia dos autarcas.

Valorizar o peão

A criação da Praça Fonte Nova tinha como objectivo a redução do trânsito automóvel, o aumento da área pedonal e ciclável, a melhoria da iluminação pública e a concretização do plano de acessibilidade pedonal no espaço público. Também envolvia as ligações pedonais entre o Palácio do Beau Séjour, a Escola Superior de Comunicação Social, a Quinta da Alfarrobeira e o Parque Florestal de Monsanto.

Ideias não concretizadas

Uma das ideias que não foi concretizada é a instalação de equipamentos desportivos e de lazer na zona semicoberta sob o viaduto da Segunda Circular e a introdução de novas valências no espaço. Aliás, a integração dos pilares e do espaço por baixo do viaduto aumentando o seu usufruto público era um dos objectivos. As alterações visavam incrementar a atractividade da zona para a população jovem à noite.

A exemplo de outras intervenções da CML no âmbito “Uma Praça em cada Bairro”, também se observa no caso Fonte Nova a carência de áreas verdes. Por outro lado, pavimentos e bancos cimentados em demasia não proporcionam o seu usufruto agradável e cómodo. “Parecem um deserto, são áridas e falta-lhes alma. Há um excesso de pilaretes, podiam utilizar materiais portugueses e reinventá-los”, diz o arquitecto paisagista Rui Valada. Para a Plataforma em Defesa das Árvores a iniciativa da CML é uma
“oportunidade perdida”: “há falta de espaços verdes na cidade e que este projecto poderia ajudar a reverter a situação”. A falta de sombra é uma constante.

Os arquitectos paisagistas já vieram a público considerar que o insucesso deste programa tem uma causa: a Câmara de Lisboa só abre os concursos públicos a arquitectos.

Praça Sete Rios

Sete Rios: o deserto

A Praça de Sete Rios também colhe críticas semelhantes. O “FREGUÊS” conversou com alguns moradores, utentes dos transportes públicos, taxistas e motoristas da Carris, todos eles referem o “desperdício de espaço à superfície” que parece um deserto e pouco acolhedor para quem o atravessa. A maioria das pessoas não gosta do espaço vazio, sem vida ou qualquer decoração. Por exemplo, sugerem que o espaço poderia ter obras de arte alusivas ao Jardim Zoológico.

Para a referida praça, os entrevistados lançam algumas ideias: mais estacionamento a superfície; jardins com sombras; bancos e mesas; cafés com esplanadas e quiosque de jornais e revistas.f

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