Música

Ritmos cabo-verdianos animam jardim do Mercado de Benfica

Cantam e tocam "por ouvido" mornas, funanás e coladeiras de autores cabo-verdianos. O grupo jardim, assim apelidado pelos que os ouvem na rua, dão um ar diferente aos dias da "praça".

Redacção

12/10/2018

“Silvestre”, “Comandante”, “Maria”, eles são o “grupo do Jardim”, assim designado pelos populares que à frente do Mercado de Benfica são surpreendidos por ritmos cabo-verdianos. Às terças, quintas e sábados, os músicos tocam e cantam mornas, funanás e coladeiras emprestando um ambiente pouco comum pela banda da “Praça” entre as 10h00 e as 13h00.

O horário é flexível: ”enquanto tivermos audiência actuamos”. Coisa fácil de conseguir, pois como nos revela o “Silvestre” quem passa gosta. São eles, o António Pina “Silvestre”, da Ilha do Fogo, 62 anos; o Manuel Tavares “Comandante”, da Praia, 74 anos; e a sua mulher, “Maria” Monte Ramos, de São Vicente, 61 anos. O primeiro é voz e toca cavaquinho; o segundo, viola; o terceiro, é a voz feminina do grupo.

No jardim do Mercado, o grupo actua há cerca de três semanas, mas já não são novos nestas andanças. Começaram no parque da Amadora em 2017 com êxito e, agora, repetem a experiência. A ideia foi do “Silvestre” que desafiou os seus conterrâneos para a aventura da animação musical em espaços públicos.

Os três nasceram com a música no corpo e aprenderam a tocar na adolescência com os “mais velhos”, na sua terra natal, Cabo Verde. Não obstante, “Silvestre” avisa: “é preciso sentir o dom, a harmonia e a alegria, pois caso contrário nada feito”. Os três, por vezes acompanhados por um quarto elemento, conhecido por “Garcio”, rentabilizam as suas competências e habilidades “para conseguir uns trocos”, que complementam as suas reformas. Por actuação conseguem juntar cerca de 50 euros.

O que cantam e tocam “por ouvido” é constituído essencialmente por versões de músicas de outros cantores cabo-verdianos. Pode dar-se o caso de por vezes, tocarem o ainda escasso repertório próprio, de que a morna “No meio do mar” ou o funaná “Tininha”, ambos da autoria de “Silvestre”, o único do grupo que escreve e compõe.

As pessoas de várias etnias e regiões do mundo acabam por parar os seus afazeres para se encantarem, e quiçá matarem saudades, por alguns momentos. Alguns retribuem,
deixando algumas moedas numa sacola de viola que serve de mealheiro. “Os mais velhos” agradecem e, por vezes, dedicam uma música a quem passa.

As manhãs no jardim do Mercado têm agora um ar diferente.f

Uma equipa da CMTV fez do grupo “Jardim” motivo de reportagem.
às terças, quintas e sábados, há música.

 aspas 

A Reter   

Géneros musicais:

MORNA Quem não conhece Sôdade (Saudade), um tema de Armando Zeferino Soares interpretado por Cesária Évora? A morna é um género musical e de dança que reflecte a realidade insular dos cabo-verdianos. Caracteriza-se por um profundo romantismo e pelo amor à terra e ao mar. A expressão de sentimentos é marcada por um profundo lirismo. De todos os estilos, a morna é o símbolo nacional e o que mais identifica Cabo Verde até a nível internacional. A cantora mais conhecida, Cesária Évora, chegou a cantar em vários palcos de prestígio como o Olympia, o Carnegie Hall, o Hollywood Bowl e o Canecão, entre outros.f


FUNANÁ Outro género de música típica de Cabo Verde, de andamento muito rápido, em que o vocalista improvisa versos, acompanhado por concertina enquanto outro faz acompanhamento rítmico com ferrinhos, podendo os presentes cantar respostas corais ao vocalista. O funaná está intimamente associado ao acordeão, conhecido em Cabo Verde por gaita. Trata-se de um género que exige um bom conhecimento da linguagem e cultura populares. Com a estilização e electrificação outros instrumentos são utilizados: Apesar de tudo, o funaná que surgiu quando, numa tentativa de aculturação, o acordeão teria sido introduzido na ilha de Santiago no início do século XX. O resultado seria a criação de um género novo e genuíno. Mesmo sendo um género musical totalmente diferente, o uso da gaita e dos ferrinhos no funaná é análogo ao uso do acordeão e dos ferrinhos em certos géneros musicais portugueses (malhão, corridinho, vira, entre outros).f


COLADEIRA Os temas da coladeira (koladera em crioulo cabo-verdiano) são sátiras, críticas sociais, relatos jocosos e temas alegres e lúdicos. Mais recentemente, inclui temas mais variados desde sentimentos românticos até composições de carácter político. Trata-se de uma dança de salão Recentemente, assiste-se à influência do zouk, sobretudo nas camadas mais jovens e em músicos cabo-verdianos no estrangeiro que se encontram apreciadores e praticantes desta variante da coladeira.f

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