escândalo

Ratazana ataca moradora no centro da freguesia

Uma moradora foi atacada por uma ratazana enquanto descansava no quarto. O situação ocorreu no centro da freguesia numa zona urbanizada e consolidada. Os avistamentos de roedores são cada vez mais frequentes e já ocorrem à luz do dia. As apreensões aumentam com o aproximar do Verão e a persistência de lixo nas ruas. Todos os sinais que apontam para a existência de uma praga que põe em causa a saúde pública. A Câmara Municipal de Lisboa diz que tem a situação controlada.

Redacção

19/06/2018

Os ponteiros do relógio marcavam 13h45 do dia 31 de Maio quando M., nome fictício de uma moradora da nossa freguesia há 47 anos, acordou em sobressalto por uma dor lancinante no nariz: “Parecia que tinha sido cortada por uma tenaz!”, lembra ao FREGUÊS. Instante contiguo, o sangue abundante cobriu-lhe o rosto e escorreu pela roupa, a que vestia e a da cama onde descansava. Não viu o bicho que fugiu assustado, mas depressa se apercebeu que tinha sido mordida por uma ratazana que mais tarde parecia um “coelho” com 20 centímetros, fora o rabo. Vive num res do chão com a mãe numa rua de prédios no centro da freguesia e não tem animais de estimação.

M. ensanguentada saltou da cama, saiu do quarto, fechou a porta e foi pedir socorro à sua mãe, uma senhora de 78 anos que designaremos por L. também um nome fictício. Perante o cenário, a primeira preocupação foi perceber a gravidade do ataque da ratazana e, principalmente, se os olhos tinham sido afectados, tal a abundância de sangue: “Um dia de terror que nunca mais esquecerei: ver a minha filha com uma toalha no rosto ensanguentada”, relata-nos.


Difícil de acreditar

Depois dos primeiros momentos de aflição e socorro, e já mais serenas, abriram novamente a porta de pequeno quarto para perceber melhor o que se passou. Os biblôs das duas cómodas estavam já todos no chão, o chão todo sujo de pegadas, a cama cheia de sangue. E para espanto, descobriram como a ratazana tinha entrado no quarto: esgravatou tijolo e cimento e conseguiu abrir um buraco atrás de um pequeno sofá. Logo depois, mãe e filha seguiram para o Hospital Santa Maria para uma consulta de urgência. “Quando dissemos que tinha sido atacada por uma ratazana, o médico nem queria acreditar!”, revela M.

Buraco ratazana

Alias uma atitude comum a todos, os que conhecem o episódio por diversas razões, desde os técnicos da empresa que foi chamada no dia seguinte passando por funcionários camarários que foram espalhar raticida pelas sarjetas e outros buracos das artérias da zona. “Desculpe, vinha ver para acreditar!” confessou um deles quando tocou à porta da vitima. O alerta às autoridades autárquicas foi dado pela administradora do prédio em questão que se reuniu com responsáveis da Junta de Freguesia (5 de Maio) e telefonou para a CML. O bicho foi apanhado numa armadilha colocado junto ao pé da cama por onde a ratazana trepou da primeira vez. Depois, chamaram um pedreiro amigo da família para fechar o buraco, desinfectaram o quarto e lavaram toda a roupa. Mesmo assim, ainda com a lembrança fresca do ataque, M. não consegue dormir no seu quarto de sempre.


À luz do dia

Já não é a primeira vez que as ratazanas entram no prédio. Há meses, a empresa já tinha sido chamada porque uma ratazana andava no sexto andar e é comum ouvirem-se ruídos nos canos de esgotos. Sempre houve roedores na freguesia, mas ultimamente os avistamentos têm sido cada vez mais frequentes. “Agora, já se vem nas ruas à luz do dia!”, dizem-nos, acrescentando, “os ratos passaram dos alicerces para as casas”. O FREGUÊS conversou com comerciantes e outros moradores de diversos bairros da freguesia e o traço comum é a confirmação de que existe uma praga à vista, tanto mais que estamos a entrar no Verão que acentuam as habituais deficiências na recolha do lixo.

A baixa frequência de acções de controlo de pragas por parte das autoridades, assim como a permanência de lixo na via pública, situação que vem agravando desde 2015, são circunstâncias que potenciam a “falta de vergonha” dos roedores que assim se tornam um perigo para a saúde pública. Uma moradora há 50 anos na freguesia ainda se lembra das acções de desratização que eram levadas a cabo pela CML: “colocavam uns cartazes a avisar os donos dos animais de estimação para a presença de veneno!”. A mesma moradora garante que “há mais de dez anos” que nada sabe. Sempre houve roedores nas cidades, mas o número que tem sido publicado por estes dias na comunicação social (seis milhões de ratos na área metropolitana de Lisboa), mais parece uma fotocópia da notícia referente à cidade de Paris no ano passado que afirmava existirem seis milhões de roedores na Cidade Luz.


Situação controlada, diz autarquia

Não obstante a percepção pública, responsáveis da autarquia garantem que todos os pedidos são respondidos  com celeridade e “os procedimentos de controlo de murídeos estão dentro da normalidade”. Em 2016, foram feitas 1279 acções de controlo; em 2017, foram realizadas 1426. “Não houve aumento exponencial”, sublinham as mesmas fontes, concluindo que os níveis de infestação estão controlados”. Entretanto, a Associação de Grossistas de Produtos Químicos e Farmacêuticos (Groquifar) realizou, entre 4 e 6 deste mês, em Cascais, um encontro com cerca de 200 especialistas sobre gestão de pragas para a a saúde pública e a segurança alimentar.

Maria da Luz Mathias, docente na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, acredita que nada se sabe sobre o que se passa em Lisboa, nem sequer qual a espécie dominante: a ratazana preta ou castanha. Ambas são nocivas, fazem estragos em cabos eléctricos, na via pública e nos restaurantes. Os seus dejectos podem conter salmonelas e leptospirose.f

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