Praça Fonte Nova ganha prémio internacional

Fonte Nova: praça contestada ganha prémio

A Praça Fonte Nova ganhou o prémio FAD 2018 (Fomento de las Artes y del Diseño) na categoria “Cidade e Paisagem”, um dos mais importantes a nível ibérico. Aquele espaço público, projectado pelo arquitecto José Adrião, foi construído no âmbito do programa “Uma Praça em cada Bairro” da Câmara Municipal de Lisboa (CML)e nem sempre recolhe opiniões favoráveis entre os seus utentes.

Redacção

19/06/2018

A Praça Fonte Nova ganhou o prémio FAD 2018 (Fomento de las Artes y del Diseño) na categoria “Cidade e Paisagem”, um dos mais importantes a nível ibérico. Aquele espaço público, projectado pelo arquitecto José Adrião, foi construído no âmbito do programa “Uma Praça em cada Bairro” da Câmara Municipal de Lisboa (CML)e nem sempre recolhe opiniões favoráveis entre os seus utentes. Segundo o júri, esta distinção justifica-se porque a praça assume “a complexidade de um lugar, potenciando o uso democrático do espaço público, com a recuperação de um antigo parque de estacionamento, sob um viaduto”, que se transformou num “lugar de descanso e de lazer”.

Praça Fonte Nova

Transformação radical

Antes da requalificação, a zona do Fonte Nova era marcada pelo viaduto da Segunda Circular, construído na década de sessenta, sendo ocupada em praticamente toda a extensão por um parque de estacionamento desordenado, características que se mantiveram e agravaram durante cinquenta anos. Em 2015, a CML lançou o programa “Uma Praça em Cada Bairro” que visava melhorar o usufruto do espaço público em vários bairros.

Nos seus 3,5 hectares de área, a intervenção do arquitecto José Adrião visou criar “uma grande superfície de pavimento em betão” para “restabelecer uma unidade que foi fragmentada com a construção do viaduto”. No sentido de beneficiar a mobilidade pedonal e os espaços de estadia, a área de estacionamento foi reduzida em cerca de 50%.

No seu interior foram construídas “ilhas” de estadia e lazer, assim como se procurou tirar partido do coberto arbóreo existente, “de modo a produzir um ambiente qualificado pelas sombras das árvores”. Quiosque, uma fonte, um parque infantil e um parque canino e jardins, são alguns dos novos equipamentos do espaço. Outra característica é a delimitação destas ilhas por bancos contínuos de troços rectos e curvos. Um dos aspectos que mais se evidenciam visualmente são os bancos individuais com inclinações de costas distintas, dispostos em sentido contrário um ao outro.

A iluminação foi reforçada, principalmente de baixo do viaduto, permitindo uma utilização durante 24 horas ao abrigo do sol e da chuva. Um aspecto são as diferentes tonalidades: a que está direccionada para o pavimento é quente; enquanto, a dirigida para a copa é fria. Segundo José Adrião, procurou-se criar “ambiente informal, um usufruto activo ou contemplativo” num espaço de “fácil apreensão e manutenção”. A requalificação definiu ainda os perfis de via e de passeio, sistematizou o troço da rede de transporte público, assim como o trânsito. Os passeios foram alargados e integrou-se uma pista ciclável.


Da teoria à prática

Apesar de todas as beneficiações que implicaram um investimento de 2,8 milhões de euros, a intervenção da CML no Fonte Nova continua a merecer críticas dos residentes da zona. Para além de a fonte não estar a funcionar com regularidade, a falta de limpeza tem sido motivo de descontentamento dos moradores. Por outro lado, ainda faltam esplanadas e equipamentos desportivos que estavam previstos (zona de jogos com parque de skate, patins e basquetebol). Para além destas questões, a CML não resolveu duas situações críticas para a qualidade de vida dos residentes: a poluição sonora produzida pelo tráfego do viaduto da Segunda Circular e a escassez de estacionamento na zona.

Embora tenha sido criado estacionamento em zonas adjacentes, a verdade é que continua a ser uma dificuldade para os moradores que tem poucas alternativas. Quanto ao segundo tema, responsáveis autárquicos prometem introduzir algumas medidas para atenuar o problema, como a alteração do tipo de piso, limite de velocidade mais baixo, desvio do trânsito de pesados para outras artérias, colocação de barreiras acústicas.

Não obstante, estas alterações tardam a ser implementadas. Alguns comerciantes alertam-nos que tudo se faz para beneficiar as áreas comerciais, lembrando que neste aspecto é o Centro Comercial Fonte Nova que mais benefícios retira da nova Praça. Sobre este tema, os mesmos responsáveis sublinham que o projecto também visa criar uma relação entre o edifício do Centro Comercial Fonte Nova, a ponte, e a banda de edifícios de serviços e comércio, a nascente, dinamizando e fortalecendo o comércio local”.f

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