Entrecampos: moradores contestam projecto da Câmara

O projecto sofre críticas porque não respeita as decisões da Assembleia de freguesia das Avenidas Novas, segundo as quais o índice de habitação deve atingir os 70% da área total.

Redacção

27/06/2018

A ideia da Câmara Municipal de Lisboa (CML) é acentuar neste centro nevrálgico da cidade, uma das suas principais características: ser uma área premium para empresas e serviços, transformando a zona numa referência internacional e promovendo o comércio de rua. Esta vertente vai ocupar cerca de 64,4% da área total. A CML também prevê fazer a reabilitação dos arruamentos existentes na zona, a construção, no loteamento das forças armadas, de habitações do programa de renda acessível (PRA), a reabilitação dos edifícios da Segurança Social na Av. República, a construção de equipamentos sociais e culturais, e a criação de áreas verdes.

Em termos de equipamentos sociais, preve-se a construção de três creches, jardim de infância, unidade de cuidados continuados, centro de dia, lar de idosos e serviço de apoio domiciliário (4,6% da área total). Parte do financiamento desta operação urbanística advirá da venda em hasta pública dos terrenos da antiga Feira Popular que se realizará até ao final deste ano. De iniciativa privada serão construídos estacionamentos, para além de edifícios de habitação e comércio.

Praça de Entrecampos: projecto alterado

No âmbito desta operação urbanística, pretende-se construir 700 fogos de habitação de renda acessível e 279 fogos de venda livre. Segundo dados camarários, a habitação vai ocupar cerca de 31% da área total. Logo aqui, o projecto sofre críticas porque não respeita as decisões da Assembleia de Freguesia de Avenidas Novas, segundo as quais este índice deve atingir os 70%, para além de os requisitos associados à “renda acessível” não estarem suficientemente esclarecidos.

Outro motivo de contestação tem a ver com a mudança dos usos da Praça de Entrecampos, alterando o loteamento da EPUL nas Forças Armadas. No terreno onde hoje existe um parque de estacionamento da  Entrecampos: moradores contestam projecto da Câmara EMEL na Praça de Entrecampos vai ser criado um complexo de equipamentos sociais, com creche, lar de idosos e uma unidade de cuidados continuados, tudo gerido pela Santa Casa da Misericórdia.

Estas decisões apanharam de surpresa os moradores, pois tiveram conhecimento das intenções do Executivo através da comunicação social. Tiago Marques, presidente da Associação de Moradores da Praça de Entrecampos (AMPRE) já pediu esclarecimentos sobre os anunciados 515 apartamentos de renda acessível e defende que se realize uma sessão de esclarecimento à população da Praça de Entrecampos. Também a este propósito, Rui Barbosa, de Vizinhos das Avenidas Novas, considera que devem ser divulgadas as razões pelas quais a CML decidiu não concluir o anterior projecto da EPUL na Praça de Entrecampos, frustrando as expectativas dos moradores.

Há quem pense lançar petições contra a operação integrada de Entrecampos, acusando a câmara municipal de não atender às pretensões de quem mora na cidade.

Estacionamento crítico 

O impacto desta operação urbanística em termos de estacionamento também gera em Rui Barbosa dúvidas quanto aos lugares criados pelo projecto: somente estão previstos 1800 lugares de estacionamento quando a Câmara prevê a criação de 15 mil postos de trabalho através do projecto. Manuel Salgado, vereador do Urbanismo da CML, reconhece que o problema do estacionamento é crítico, “mas há um equilíbrio sobre o qual temos de pensar”, lembrando que Entrecampos “é o centro geométrico do município e o cruzamento de todas as linhas ferroviárias”, sendo “uma das zonas mais bem servidas de transportes da cidade”. Para este autarca, aumentar a oferta de estacionamento seria acentuar os congestionamentos na área.

Por outro lado, Manuel Salgado garante que o prolongamento da Rua da Cruz Vermelha da Avenida 5 de Outubro até à Avenida da República “vai melhorar a circulação” na zona. De qualquer forma, há quem pense lançar petições contra a operação integrada de Entrecampos, acusando a Câmara Municipal de não atender às pretensões de quem mora na cidade.f

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