Bairro de Estudantes

Palma de Cima: nova vida sem antigos moradores

Mariza Gonçalves

24/07/2018

“Good morning!” é o cumprimento que se começa a ouvir com frequência no Bairro de Palma, denotando a mudança socioeconómica que está em curso nesta área da freguesia. A população mais velha, residente de vários anos na área, está a ser substituída por estudantes e turistas de curta duração.
Um discreto sinal de mudança: um bloco, o n.º 9, no fundo da Travessa da Palma, renovado e pintado de azul, com piscina e alguns estrangeiros a viverem, tem uma placa com a seguinte inscrição: Student Ville. Um novo conceito de alojamento local que procura satisfazer a procura provocada pelos estabelecimentos de ensino.

Fora da “época estudantil”, os apartamentos entram no mercado do turismo. Esta receita parece ter sucesso, tanto mais tendo nas proximidades as instalações da Universidade Católica Portuguesa (UCP). A empresa anuncia a construção de mais destes estúdios na Travessa da Palma e no largo central do Bairro. Tanto a Student Ville como a UCP negam ter interesses comerciais comuns. A empresa revelou ainda que o arrendamento de um estúdio com 19m2 é de € 650,00 mensais. O FREGUÊS sabe que preços do aluguer dos quartos atingem os €350,00.

Palma de Cima  placa AL

Nova paisagem socioeconómica

Os ventos de mudança humana, social e arquitectónica são visíveis um pouco por todo o bairro: na Rua Direita, um bloco de edifícios pintado de vermelho escuro está a ser restaurado e tem obras a decorrer no pátio lateral. No restante bairro, vêm-se edifícios restaurados, com bons materiais, janelas duplas e códigos para entrar são aspectos que estão a alterar a paisagem degradada do bairro. É o caso da antiga Vila Penteado, um edifício restaurado no qual se entrar através de código, cujo pátio tem piscina e espreguiçadeiras.
A percepção geral é a de que o bairro vai ser “tomado” pelo alojamento local. Embora sem indicação se é para venda ou aluguer, a tendência é que os imóveis modernizados entrem no mercado. O aparecimento de estabelecimentos de Alojamento Local, associado à renovação e alteração de funções dos imóveis, está a mudar a paisagem humana e económica do bairro. Mas nem tudo está bem na revitalização da zona, especialmente porque as relações de vizinhança se vão perder.


Novos in! Velhos out!


“Praticamente já só vivem estudantes no bairro!”, afirmam-nos. Por exemplo, na Rua das Palmeiras já só mora uma família com um agregado de cinco membros (um casal com três filhos) que ali vivem há 15 anos. Mesmo assim, procuram novo local para habitar porque o senhorio, que não vive no Continente, os informou que vendeu a casa e têm que sair.

É voz corrente que o Bairro Palma de Cima vai acabar nos velhos moldes: os poucos moradores temem a invasão de estabelecimentos de Alojamento Local (AL). Consta que outros inquilinos de saída, alguns dos quais têm pequenos negócios de comércio tradicional. “Há vizinhos de 50 anos de vida em comum que foram “convidados” a sair”, garantem-nos.


O pouco comércio tradicional existente na zona também corre o risco de desaparecer, devido à pressão dos investidores que vêem da renovação do edificado uma oportunidade de negócio. Apesar de tudo, para alguma restauração a nova população é bem-vinda e representa uma nova oportunidade para a renovação de negócios.


Para já um “senão” relativo à nova população: os ajuntamentos de estudantes na praça do bairro até às 2h00 da madrugada geram lixo e barulho. A PSP vigia a zona com alguma assiduidade o que o FREGUÊS testemunhou. Não obstante, o ambiente da zona vai transformar o Bairro de Palma no Bairro dos Estudantes.f

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