"Novo" Mercado do Rego gera descontentamento dos comerciantes

Com um investimento superior à um milhão de euros, o edifício foi totalmente modernizado, tendo sido criada uma praça coberta com bancos e jardim, ladeada por lojas comerciais. No entanto, os comerciantes estão descontentes.

Mariza Gonçalves

24/07/2018

O “novo” Mercado do Rego foi inaugurado a 14 de Julho com pompa e circunstância. Todos gostam de ver o edifício renovado e bonito. Os comerciantes investiram no interior das lojas. Mas os problemas persistem e com a falta de apoio dos responsáveis autárquicos receiam não aguentar as portas abertas, principalmente quando começarem a pagar renda.

Com um investimento superior a um milhão de euros, o edifício foi totalmente modernizado, tendo sido criada uma praça coberta com bancos e jardins, ladeada por lojas comerciais. No piso superior foi criada uma galeria apoiada por um elevador panorâmico que possibilita uma maior mobilidade a quem pretende deslocar-se às lojas. Foi também instalado um portão na entrada principal para aumentar a segurança quando o mercado não está a funcionar.

Parte deste equipamento foi concessionado à “Dia Portugal Supermercados, Sociedade Unipessoal, Lda”, que ocupa a nave do mercado com um supermercado “Mini Preço Family”. No âmbito desta parceria, a “Dia" reabilitou o edifício com um investimento de € 1.480.563,45, ficando com a exploração do parque de estacionamento.

O projecto de execução foi elaborado pela autarquia e teve por base a valorização do espaço comercial e a sua envolvência, assente na qualidade arquitectónica e ambiental, de forma a atrair a população ao local e agregar a vivência pelas famílias residentes. 

Os comerciantes foram responsáveis pela interior das lojas, cujos investimentos são abatidos com as rendas dos espaços.

Presença de supermercado não é consensual

A existência supermercado “Mini Preço Family” não reúne o consenso entre os comerciantes. Se no caso da loja de têxteis e a costureira, os comerciantes a consideram uma mais-valia; já quanto às peixarias, à frutaria e as queijarias, uma das quais com 29 anos de Mercado do Rego, é apontada como uma das causas para a perda de clientes e o aumento das dificuldades de sobrevivência do comercio tradicional.

Outra razão de descontentamento, é a dimensão dos espaços, agora mais pequenos do que antes a requalificação do edifício. Espaço que ainda reduz drasticamente devido a duas grandes portas das lojas que abrem para dentro (uma dá acesso à rua; outra ao interior do mercado). Por sua conta e risco, alguns comerciantes optaram por as substituir por portas de correr.

Espaços pouco adequados

A adequação dos espaços aos negócios é também motivo de críticas. Os das queijarias não dispunham de balcões refrigerados e frigoríficos, enquanto a florista teve de reorganizar o interior da loja para poder trabalhar, uma vez que só lhe colocaram uma torneira com um lavatório muito pequeno e uma tomada eléctrica mesmo ao seu lado.

As proprietárias das duas peixarias também apontam razões de descontentamento: o escoamento das águas é deficientepor falta de inclinação do chão, “o que faz com que as águas fiquem paradas e ganhem mau cheiro”. Abriram em Dezembro e em Fevereiro já havia problemas graves resultantes de uma caixa de esgoto vindo das instalações sanitárias colocada no chão mesmo ao lado do balcão.

Segundo nos dizem, estas caixas também entopem com frequência e bloqueiam o escoamento de águas, para além dos maus cheiros que invadem o espaço. O rol de queixas continuam: mau posicionamento do balcão, a existência de uma torneira e um lavatório que “está sempre e entupir”.

Por outro lado, os azulejos escolhidos para o chão são inadequados e escorregam. Por fim, a porta de carga e descarga é pequena demais para a passagem das caixas de peixe. 

A localização não é problema para o dono do quiosque, mas considera que há falta de apoio e diálogo com as entidades gestoras do espaço.

Para alguns comerciantes, as duas portas laterais deveriam estar fechadas ao público, obrigando-o a entrar pela entrada central e e a passar por todas ate ao supermercado.

OS COMERCIANTES AFIRMAM QUE AS AUTORIDADES NÃO TIVERAM QUALQUER CUIDADO NO DIÁLOGO COM OS COMERCIANTES. O “PASSA-CULPAS” ENTRE A JUNTA DE FREGUESIA E A CÂMARA MUNICIPAL É UM MODO COMUM DE ACTUAR QUANDO SÃO CONFRONTADOS COM AS RECLAMAÇÕES.

Primeiro piso sem clientes

Quanto ao comércio situado no piso superior do edifício, as queixas também são muitas. A padaria só funciona entre as 7h00 e as 14h00 porque “não faz dinheiro suficiente para manter a empregada até mais tarde”, diz o proprietário. A falta de clientela deve-se a localização da loja e à existência do supermercado.

O restaurante, que ali existe há 25 anos, também admite ter perdido clientes devido à localização no primeiro piso. Há um elevador, “mas avaria frequentemente”, dizem-nos. “Já houve pessoas que ficaram presas durante 40 minutos e agora muitos tem medo de o utilizar, em especial a população mais envelhecida”, sublinham.

Neste piso, a Junta de Freguesia ocupa quatro lojas originalmente previstas para outras funções: segundo o projecto seria um Fan Senior, com equipamentos destinados ao exercício físico. 

Limpeza deficiente

A higiene, feita uma única vez por dia da parte da manhã, é outras das questões críticas. A limpeza do piso superior e escadas feita, à vez, pelos comerciantes porque “desde Dezembro ninguém as limpa”. Neste domínio, também as instalações sanitárias são um problema. A situação é tão caricata que o restaurante fornece papel higiénico aos seus clientes.

A falta de cuidado com a envolvente do edifício também se revela no tratamento das plantas do pátio central que têm sido regadas pela florista. Segundo nos afirma, “desde a altura em que abriram as novas lojas em Dezembro nunca ninguém veio regar ou tratar das plantas colocadas no pátio”. As plantas já foram mudadas algumas vezes e agora para a inauguração oficial foram substituir as plantas já mortas.

A percepção geral dos comerciantes que foi transmitida ao FREGUÊS é de que as autoridades não tiveram qualquer cuidado no diálogo com os comerciantes. 

Aliás, o “passa-culpas” entre a Junta de Freguesia e a Câmara Municipal é um modo comum de actuar quando são confrontados com as queixas. Quase todos mostraram-se convencido de que o objectivo das autoridades é dificultar a existência dos seus negócios no sentido de desistirem para dar lugar a novos empreendimentos no local.f

Mercado do Rego

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