Fonte Nova

Qualidade de vida degrada-se

O aumento do estacionamento oportunista, a poluição sonora, o desleixo na limpeza e manutenção das áreas verdes preocupa os residentes da zona entre o Fonte Nova e a estação "Colégio Militar".

Mariza Gonçalves

21/09/2018

Tarda a resolução dos problemas que afectam os residentes da zona envolvente da Praça Fonte Nova:estacionamento caótico, poluição sonora gerada pela viaduto da Segunda Circular, canteiros ao abandono e, nos últimos meses, o lixo que se amontoa um pouco por todo o lado. “A falta de qualidade de vida zona tem vindo a degradar-se” afirma uma das moradoras ao FREGUÊS. O estacionamento está cada vez mais caótico, principalmente desde que foram criadas as zonas de estacionamento pago na freguesia de São Domingos de Benfica que confina com a zona. “As pessoas deixam os carros estacionados o dia inteiro nas ruas entre o Fonte Nova e a estação de Metropolitano “Colégio Militar”, afectando quem ali mora. Segundo nos dizem, “há moradores que chegam a levar uma hora ou mais a estacionar”. Outra residente revolta-se quando tem que levar a sua Mãe ao hospital: “quando chegamos é um martírio para estacionar! A alternativa é andar de táxi!”. Também a circulação de veículos de emergência é posta em causa com o estacionamento desordenado. A situação é ainda mais stressante quando há jogos no Estádio da Luz: “nessas alturas o melhor mesmo é não sair de casa!”, dizem. 

Estacionamento oportunista 

O aumento “estacionamento oportunista”, como alguns moradores classificam a invasão de viaturas que vêm de outras zonas, é uma situação que se previa com a entrada da Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL) na freguesia vizinha, onde todo o estacionamento é pago. Esta circunstância “empurrou” o problema para Benfica por forma a forçar os benfiquenses a aceitarem o estacionamento pago. Alguns moradores da zona entre o Fonte Nova e o Colombo defendem a rápida introdução do estacionamento pago na zona. A degradação da qualidade de vida da zona também se observa noutros domínios: “quase todas as áreas ajardinadas não têm relva ou está seca e têm um ar descuidado”. O caso mais caricato quanto ao desmazelo neste domínio, apontado ao FREGUÊS, é o caso da floreira na Estrada de Benfica, junto à entrada lateral do Fonte Nova que “nunca foi utilizada”. Outra situação, cada vez mais frequente, é a falta de higiene pública. “A zona está suja, com lixo um pouco por todo o lado e de toda a espécie, desde dejectos de animais até resíduos orgânicos.


Praça sem consenso

Aliás, a Praça Fonte Nova, que recentemente ganhou um prémio internacional de arquitectura, continua a não reunir o consenso da população. “É pouco utilizada por diversas razões: tem pouco arvoredo, os bancos não são cómodos e, principalmente, o ruído originado pela Segunda Circular é bastante incomodativo”, afirmam-nos. O nível sonoro é tão elevado que os moradores nunca podem abrir as janelas, “a não ser na noite da véspera de Natal”. Há muito que estão prometidas medidas para atenuar a poluição sonora, pela voz de Manuel Salgado, vereador da Câmara Municipal de Lisboa.

A montagem de barreiras acústicas transparentes, a redução da velocidade de circulação, o desvio do trânsito pesado e a alteração do tipo de piso, são algumas das medidas que têm sido referidas. “A solução tarda!”, afirmam os residentes revoltados com a inércia dos autarcas.

Praça no Fonte Nova


Praça Fonte Nova votada ao insucesso?

A criação da Praça Fonte Nova tinha como objectivo a redução do trânsito automóvel, o aumento da área pedonal e ciclável, a melhoria da iluminação pública e a concretização do plano de acessibilidade pedonal no espaço público. Também envolvia as ligações pedonais entre o Palácio do Beau Séjour, a Escola Superior de Comunicação Social, a Quinta da Alfarrobeira e ao Parque Florestal de Monsanto. Uma das ideias que não foi concretizada é a instalação de equipamentos desportivos e de lazer na zona semicoberta sob o viaduto da Segunda Circular e a introdução de novas valências no espaço. Aliás, a integração dos pilares e do espaço por baixo do viaduto para o seu usufruto público era um dos objectivos. As alterações visavam aumentar a atractividade da zona para a população jovem.

A exemplo de outras intervenções da CML no âmbito “Uma Praça em cada Bairro”, também se observa no caso do Fonte Nova a carência de áreas verdes. Por outro lado, a existência de pavimentos e bancos cimentados em demasia não proporciona o seu uso agradável e cómodo. “Parecem um deserto, estão áridas e falta-lhes alma. Há um excesso de pilaretes, podiam utilizar materiais portugueses e reinventá-los”, diz o arquitecto paisagista Rui Valada. Para a Plataforma em Defesa das Árvores a iniciativa da CML é uma “oportunidade perdida” : “Há falta de espaços verdes na cidade e este projecto poderia ajudar a reverter a situação”. A falta de sombra é uma constante.

Os arquitectos paisagistas já vieram a público considerar que o insucesso deste programa tem uma causa: a Câmara de Lisboa só abre os concursos públicos a arquitectos.f

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