Universidade de Lisboa para a Terceira Idade fez 30 anos

A Universidade de Lisboa para a Terceira Idade (ULTI) comemora o seu 30.º aniversário. Desde o ano passado, a efeméride tem sido assinalada com um vasto programa de actividades que contou com a presença de Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da República, entre outras personalidades da nossa vida social, política e económica.

17/06/2018

Cerca de 500 alunos por ano frequentam as quase 80 disciplinas promovidas pela ULTI desde 14 de Março de 1987. Informática, dança, música, ciências sociais, línguas estrangeiras, artes artesanais, pintura, desenho, entre outras, são algumas das áreas formativas.
Emília de Noronha, presidente da direcção e fundadora da ULTI, considera que esta universidade, “nascida da vontade da sociedade civil, é pioneira em Portugal e inspirou muitas outras entidades”. Segundo a dirigente, “a ULTI contribuiu para um novo paradigma da terceira idade: a formação ao longo de toda a vida, a descoberta do valor positivo da terceira idade e a solidariedade entre gerações”. Atestam esta afirmação os diversos prémios que a instituição recebeu, entre eles, o prémio europeu Grundvigt 2013-2015, para além da presença em vários congressos nacionais e internacionais.

Do sonho à realidade
Há cerca de trinta anos atrás, Laura Maria Gomes Ferreira, sócia fundadora da ULTI, teve um sonho inspirado, segundo um testemunho que a própria deixou para a prosperidade. Laura que se dedicava a acudir aos lares da terceira idade da freguesia já tinha observado “cenas altamente chocantes passadas com pessoas idosas que aí jaziam nas chamadas “antecâmaras da morte”. Volvendo ao sonho, Laura descreve-o deste modo: “certa noite, em sonho, vi um lindo jardim florido e muito arborizado, no meio do qual se situava um edifício em degradação. As paredes estavam cobertas de heras verdejantes que brotavam e se entrelaçavam umas nas outras. À volta desse edifício havia um número incontável de pessoas idosas que, alegremente, de braços levantados, entoavam cânticos de louvor e de glória a Deus”. A imaginação dava carácter bem diferente da realidade que conhecia. “Achei que o sonho era lindo e, de repente, lembrei-me da real situação dos idosos que visitava”, relata. Laura entrou em “oração e pediu discernimento” até que deu rumo ao que se passava: “compreendi que Deus queria que se fizesse alguma coisa para libertar os idosos daquele sofrimento”. Concretamente, a ideia era “criar uma instituição que promovesse a saúde e prevenisse a doença, mantendo os idosos ocupados em tarefas que lhes proporcionassem bem-estar e lhes facilitassem convívio fraterno sem, contudo, os afastar do seu ambiente familiar”.

Realizar uma missão
A realização deste objectivo não foi fácil. Em 1985, expôs o projecto a um sacerdote a quem pediu ajuda espiritual para realizar o sonho: “estás verdadeiramente apaixonada pelos velhinhos?”, interrogou-a, ao que Laura disse: “eu, talvez não esteja, mas Jesus está de certeza!”. Passado um ano, perante o silêncio do padre, e a inquietação de uma ideia fixa decidiu que não esperava mais tempo: conversou com uma colega, na esperança de conseguir ajuda. A coisa não correu bem: “és louca!... uma “sonhadora! Não acredito em sonhos, por isso, toma juízo!”. Ainda demorou alguns meses a convencê-la a participar no projecto que, entretanto, convidou também a outra amiga que trouxe consigo um amigo.
Por fim, a 25 de Janeiro de 1984, este grupo inicial reuniu-se pela primeira vez. Estavam encontrados os fundadores da ULTI: Emília de Noronha e Áurea de Castro (entretanto falecida) trouxeram consigo, a primeira, o marido, João de Noronha; a segunda, o primo, Vitor Gonçalves. Mais tarde, juntou-se ao grupo Álvaro Terreiro, sacerdote que foi considerado fundador em virtude do apoio e acompanhamento da obra.

Sede: outra dor de cabeça
Encontrar uma sede foi outra tarefa de difícil concretização. O grupo ainda pensou no palácio Flor da Murta, em Paço de Arcos, ideia que não se revelou viável. Seguiram-se várias reuniões com o presidente da Câmara de Oeiras, a Câmara de Lisboa, Santa Casa da Misericórdia, Juntas de Freguesia, entidades particulares, entre outras. Promessas foram muitas, “mas ninguém nos concedeu nada”, relata Laura Ferreira.
Cansados de caminhar em vão, de um lado para o outro, um dia dirigiram-se à Igreja de S. Domingos de Benfica. “Se não fosse a Igreja a abrir-nos as portas, a nossa obra não seria possível”, confessa. O padre Carlos dos Santos era o pároco da altura que cedeu, a título provisório e gratuitamente, o Centro Paroquial, para se realizar a primeira experiência. A 14 de Março de 1987, a ULTI, naquela altura, ainda com o nome de “Instituto Superior para a Terceira Idade”, abriu as suas portas ao público.

População apoiou o projecto
A iniciativa foi um sucesso. “A população aderiu em massa ao nosso projecto logo no primeiro ano, tanto a nível dos alunos como dos professores que logo se disponibilizaram para lecionar gratuitamente”, testemunha Laura Fereira.
A consolidação do projecto dá-se a 7 de Novembro de 1988, data em que foi assinada a escritura da “Associação dos Amigos da Terceira Idade” (AATI), tendo a ULTI sido reconhecida como estabelecimento de ensino voluntário e gratuito, sem fins curriculares. A ULTI continua a funcionar no Centro Paroquial da Igreja de S. Domingos de Benfica, nas Furnas, junto a Sete Rios. A secção das artes funciona no Centro de Dia de N. Senhora do Rosário, também cedido pela Igreja de S. Domingos de Benfica, bem como o ginásio. Actualmente, a Universidade de Lisboa para a Terceira Idade dispõe também de instalações em Campolide, graças ao apoio da CML.f

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