Madalena Iglésias: “Está a namorar-me com a câmara?”

“Está a namorar-me com a câmara?” atira Madalena Iglésias enquanto a fotografávamos durante a conversa que mantivemos com a artista, no Verão passado. Uma conferência no Palácio Beau Sejour sobre a vida de Benfica, organizada pelo Gabinete de Estudos Olisiponenes, conhecido por GEO, foi a oportunidade para falarmos com a cançonetista numa das suas últimas deslocações a Lisboa.

17/06/2018

A reportagem foi capa da nossa edição de Agosto de 2016 e rezava assim:
Madadalena Iglésias, a popular cantora dos anos 60 que abandonou a carreira por amor, sente-se uma benfiquense, embora tenha nascido no bairro de Santa Catarina, a 24 de Outubro de 1939. O caso não é para menos: depois do divórcio dos seus pais, acabou aos 11 anos por ir morar com a sua mãe e o padrasto, Álvaro Gonçalves Rebordão “Balé”, para o número 522 da Estrada de Benfica, de onde só saiu para casar em 1972.
Foi esta freguesia que a viu nascer para a música, por intenção de “Balé”, proprietário de uma ourivesaria e senhor de muitos contactos no meio artístico, que a acompanhou durante os primeiros anos da sua carreia. Foi também pela mão de “Balé” que Madalena Iglésias integrou o Coro da Orquestra Popular Portuguesa, em 1954, e estudou piano no Conservatório. Em 1956, entrou para a Emissora Nacional e no ano seguinte estreou-se como profissional da música aos microfones, agora sempre acompanhada pelo professor Motta Pereira. Em 1958, gravou o seu primeiro disco, um “45 rotações”, com quatro canções, tendo sido considerada a “revelação” na época; cantou no Coliseu de Lisboa em 1959 e mostrou-se na televisão, rádio, salões e feiras, “boîtes”e hotéis, casas típicas e casinos.

A internacionalização
A internacionalização começou nesse ano em Madrid, apadrinhada por Lucho Gatica e Paquita Rico. Paris, Brasil, Grécia, Venezuela, para além do nosso país vizinho, são as paragens que se seguem. Por onde passa, Madalena Iglésias bonita e elegante, com uns olhos e um sorriso que fizeram furor, é considerada “rainha” e recebida com notoriedade e distinção. Ganha numerosos prémios e condecorações “cá dentro” e “lá fora”.
Na memória de muitos, fica a canção “Ele e Ela”, tema de Carlos Canelhas, com que vence o Festival RTP da Canção de 1966 e representa Portugal no Festival Eurovisão da Canção. Entre 18 países, Portugal obtém a maior votação de sempre no certame. Volvendo a Benfica, a freguesia que é também o lugar do segundo nascimento de Madalena Iglésias: aos 17 anos, foi baptizada pelo Padre Álvaro Proença, pároco da Igreja de Nossa Senhora do Amparo. Um encontro que as circunstâncias fizeram repetir em 2012, sob outra forma: quando a cantora completou 73 anos foi descerrado um seu busto, da autoria do escultor Domingos Oliveira, nos Jardins de Benfica, na Alameda Padre Álvaro Proença. “Um jardim com muitas crianças”, diz Madalena, mãe e avó, feliz e a sorrir, o sorriso que conhece “desde que nasceu”. “O meu poiso foi sempre Benfica”, conclui a cancionista, lembrando-se de um tempo em que a freguesia começava nas Portas de Benfica e acabava em Palhavã. “Foi aqui que me fiz mulher e cantora”, esclarece.f

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