Cabecero São Domingos de Benfica

Contra a EMEL, marchar, marchar!

Desde 30 de Abril, todo o estacionamento na freguesia é pago. A Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL) dividiu o território em 16 micro-zonas, o que é considerado um exagero. O descontentamento cresce em vários vários bairros e sectores.

Redacção

17/04/2018

Desde 30 de Abril, todo o estacionamento na freguesia passa a ser pago, o que está a gerar alguma contestação entre moradores, trabalhadores e outros utentes da freguesia. A Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL) dividiu todo o território em 16 micro-zonas, número considerado excessivo e muito reduzidos criando obstáculos à circulação e mobilidade na zona.

Comércio descontente 

Os comerciantes estão muito apreensivos com esta medida da EMEL pois quem mora e faz compras no comércio local “vai acabar por pagar duas vezes o estacionamento”. Os pequenos comerciantes e as casas de comércio tradicional de rua não vêm com bons olhos a chegada da EMEL. Muitos dizem-nos que já basta a falta de estacionamento para afastar a clientela. “Com o estacionamento tarifado, os clientes têm mais uma dificuldade em se deslocar aos estabelecimentos comerciais de rua”, afirmam.

Alguns dos comerciantes contactados pelo “FREGUÊS” salientam que “estas medidas que contradizem o apoio ao comércio local e tradicional tão apregoado pelos responsáveis autárquicos, só beneficiam as grandes superfícies que oferecem estacionamento gratuito e incluem o seu custo na oferta de produtos e serviços”, salientam. 

A aquisição de dísticos de moradores não garante estacionamento, pois os lugares não são suficientes para suprir as necessidades da freguesia, apesar de no panfleto que a EMEL distribuiu nas caixas de correio, garantir que a implementação das micro-zonas pretendem “preservar o espaço para residentes”.A introdução da EMEL na freguesia foi aprovada por maioria pela Assembleia Municipal de Lisboa em Julho de 2016 com os votos do PS, PS, PCP, PEV, MPT, PAN, PNPN e 6 deputados independentes e a abstenção do BE e do CDS.

O novo Regulamento Geral de Estacionamento em Via Pública divide a cidade em zonas, permitindo criar sub-zonas, que devem ser sujeitas à discussão pública. A discussão das micro-zonas decorreu entre o fim de Julho e o princípio de Agosto do ano passado. Apesar de ser um período “morto” na freguesia, foram registadas três dezenas de sugestões. Não obstante, a proposta inicialmente apresentada pela CML não sofreu alterações. 

Redução de zonas recusada 

A Assembleia de Freguesia ainda tentou reverter a situação aprovando uma recomendação do PSD para se reduzirem as referidas micro-zonas a quatro de maiores dimensões. Os moradores têm direito a estacionar na sua zona e numa outra contígua, o que com zonas maiores possibilitaria maior acesso a serviços e ao comércio local.

A proposta foi recusada pelo executivo camarário. Fernando Medina, presidente da edilidade, pondera considerar alterações às micro-zonas, mas não neste momento, nem uma redução tão drástica como a reivindicada pelos autarcas de São Domingos. Este autarca justifica a adopção do modelo porque São Domingos de Benfica é um autêntico “parque dissuador” da cidade em termos de estacionamento, dado as infratestruturas de transporte existentes na freguesia, provocando uma grande pressão a quem habita e trabalha na freguesia.


Pressionar Benfica


Uma questão estratégica está subjacente ao micro-zonamento do estacionamento de São Domingos de Benfica: a freguesia vizinha, Benfica. Na reunião descentralizada da Câmara Municipal de Lisboa (CML) com as Juntas de Freguesia de Carnide e São Domingos de Benfica, realizada a 8 de Abril, o próprio Fernando Medina admitiu que Benfica será transformada no novo “parque dissuador” da cidade. 

Segundo algumas fontes, “esta situação é propositada para forçar a população benfiquense a aceitar, sem contestação, a entrada da EMEL naquela freguesia”. O estacionamento pago deveria ter sido implementado em pelo menos duas zonas desta freguesia até ao final do ano passado.

A transformação de Benfica num “parque dissuasor” visa reverter a opinião pública a favor da implementação do estacionamento pago, acabando com os actuais focos de contestação. Em algumas zonas existem movimentações no sentido de se criarem comissões de moradores anti-EMEL e corre uma petição pública a reivindicar mais estacionamento na freguesia. “A falta de estacionamento é uma situação crítica e quando a situação se tornar ainda mais premente a EMEL surgirá aos olhos da opinião pública como a única solução viável”, afirmam-nos.

Então será lançada a discussão pública, tão prometida por Inês Drummond, presidente da Junta de Freguesia de Benfica, “para discutir algo que já está decidido pelos autarcas de Lisboa”.f

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